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Como as transportadoras estão agindo para evitar o roubo de cargas

Levantamentos feitos por um comitê de cargas do Reino Unido apontaram o Brasil como o 7º lugar no ranking de roubo de cargas entre 57 países analisados.
 
Em outro relatório, a BSI Supply Chain Services and Solutions que é fornecedora líder global de inteligência de cadeia de suprimentos, serviços globais de auditoria de verificação de cadeia de fornecimento, soluções de software de gerenciamento de riscos e conformidade de auditoria e serviços de consultoria, pesquisou o roubo de cargas na América do Sul. No primeiro semestre, o Brasil concentrou 90% das ocorrências, sendo que em 88% dos casos se tratava de ataques a caminhões.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) também realizou um levantamento que apontou que, somente no ano de 2018, foram registrados mais de 22 mil ataques a motoristas no Brasil. Isso resultou em um prejuízo em torno de R$ 2 bilhões entre perdas de veículos e cargas.

Mas o assalto a um caminhão carregado de cargas vai muito além do prejuízo material. O motorista que passa por uma situação limite como esta precisa de todo um trabalho de auxílio psicológico para voltar ao trabalho, e, muitas vezes, alguns preferem até mesmo abandonar a profissão.

“Números como os do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, já estão causando a recusa de algumas transportadoras e motoristas de levarem determinados produtos para lá”, revela o coronel Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança da NTC.

Gastos com segurança

É claro que os gastos das transportadoras causados pelos roubos não se limitam aos da ajuda psicológica aos motoristas que passaram por ocorrências.

Estimativas afirmam que medidas de segurança, tais como rastreamento, seguros, gerenciamento de risco e escolta, chegam a comprometer aproximadamente 20% do faturamento das transportadoras, o que acaba reduzindo uma margem de lucro já bastante apertada.

O coordenador da comissão de transportes e cascos marítimos do Sindicato das Corretoras de Seguro de São Paulo (SINCOR-SP), Ricardo Labatut, afirma que, para as seguradoras, o crescimento do roubo de cargas traz a inevitável consequência do aumento dos valores cobrados pelas seguradoras. “É evidente que, com o aumento do risco, o seguro amplia seu preço, e este valor acaba sendo repassado para os produtos. Ou seja, em última análise, quem realmente paga a conta é a sociedade”, reitera.

Prevenção e tecnologia

Enquanto o estado não faz a parte que lhe cabe ao garantir a segurança pública, cabe às empresas de transporte investirem em prevenção.

Eduardo Araújo, diretor de Operações da ABC Cargas, comenta que esta é a única saída para, pelo menos, minimizar os prejuízos. “Para nós, só resta investir na prevenção, porque a solução mesmo do problema passa por um trabalho de inteligência da polícia. As quadrilhas são altamente especializadas”. Com os sistema de rastreamento utilizados pela ABC, por exemplo, já houve caso de caminhões roubados que foram recuperados em menos de três horas.

Além dos modernos sistemas de rastreamento, a empresa toma uma série de medidas para garantir o máximo de segurança. Como, por exemplo:

Um bom processo de seleção de colaboradores: ajuda a evitar problemas de facilitação interna e fornecimento de informações privilegiadas para as quadrilhas.

Programas internos de treinamento e conscientização: dão a visão necessária para que os funcionários da ABC possam identificar e evitar situações de risco.

Emprego de rastreadores modernos com tecnologia anti-jamming: as quadrilhas têm utilizado bloqueadores de sinal, os jammers,  para interromper tanto a recepção do sinal de posicionamento do satélite como a transmissão de posição e informações para a central via rede de telefonia celular, obrigando as transportadoras a investirem em novas tecnologias, a fim de garantir um maior nível de segurança.

Utilização de sistemas de gestão de manutenção de frota: manter a frota com suas manutenções sempre em dia e com pneus em boas condições de rodagem contribui bastante para evitar paradas indesejadas e não programadas no itinerário da viagem, minimizando a exposição do motorista e da carga ao risco de uma ocorrência de roubo.

Além disso, a utilização de sistemas de gestão de manutenção de frotas é essencial. Isso porque, se utilizados corretamente, eles ajudam a evitar panes e paradas não programadas, já que um veículo com as manutenções preventivas e revisões em dia, com pneus em boas condições de rodagem, com documentação em dia e com os checklists pré-viagem feitos, não precisará parar fora dos locais seguros programados, ficando menos expostos à ação das quadrilhas.

Inteligência artificial

Sempre na busca por novas soluções para melhorar o gerenciamento de cargas e, consequentemente, inibir o roubo, a ABC Cargas trabalhou junto à Cobli, empresa brasileira que atua na gestão de frotas, na utilização da inteligência artificial para uma operação logística mais eficiente e segura.

A empresa, que foi considerada a melhor startup do mundo pela renomada Universidade de Harvard, oferece um sistema capaz de fornecer, em tempo real, mais de cinco mil informações sobre o veículo. Por meio de inteligência artificial, a empresa monitora e entrega relatórios que avaliam a logística, rastreamento de veículos, roteirização e acompanhamento do modo de condução dos motoristas.

“Estamos desenvolvendo agora um produto totalmente novo que, em tempo real, vai traçar a rota para o motorista, considerando, inclusive, áreas de risco”, complementa Rodrigo Mourad, sócio da Cobli.

A verdade é que, enquanto o problema da violência não for resolvido, resta ao setor trabalhar, com o objetivo de  minimizar prejuízos, tanto materiais como em vidas humanas, e, ao mesmo tempo, seguir cumprindo com seu papel de atender a sociedade com seus serviços logísticos.

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